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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No meu casulo.

O vento fazia com que a rede em que estávamos balançasse devagar e, ao fechar os olhos, eu podia voltar ao passado e me enxergar, na balança que ficava no quintal da minha avó, fazendo o maior esforço do mundo para conseguir impulsionar o balanço e rindo alto ao perceber que não adiantaria nada me esforçar... Essa sensação era boa. Nos dois casos, eu digo, tanto na rede, ao lado dele, quanto no quintal de vovó.
Eu sorria sem ter um porque aparente, mas com mil razões internas para gargalhar o mais alto possível, eu me sentia feliz ao seu lado, me sentia livre, como se eu fosse criança novamente. Minha cabeça estava leve, meu coração feliz e meu estômago cheio. Cheio de borboletas teimosas que insistiam em me deixar mais maluca ainda ao seu lado, mas apesar de sentir cócegas e um frio interminável por todo o corpo, tudo isso até que era gostoso, parecia até uma característica do momento, fazia parte. Ele, a rede, o vento frio, as lembranças e aquela sensação. A tal sensação que sentia pela primeira vez, mas já conhecia como se tivesse a sentido desde sempre.
Eu não me importava com o relógio, não fazia idéia do paradeiro do meu celular e não tinha um casaco, mas e daí? Eu tenho tudo o que preciso comigo. Meu passado, meu presente e, espero que, meu futuro.
O momento é esse, o lugar é esse, essa sou eu, ele é ele e a rede, apesar de fraquinha, consegue nos segurar e ainda aguentar minhas duzentas mil borboletas internas. Eu amo essa rede!

Textinho pro Bloínques, edição visual.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Entre joaninhas e a falta de você.

Ao mesmo tempo em que o sol começava a ir embora, suas pernas e seu quadril formigavam mais que tudo, fazendo com que ela não sentisse mais o leve roçar da grama molhada contra suas pernas descobertas. Tombando a cabeça para trás, deixou o já conhecido cheiro de orvalho entrar por suas narinas e navegar dentro de si, tal cheiro que trazia um enorme frescor e uma intensa saudade.
Mais algumas horas se passaram e o sol já estava longe, o céu, antes azul claro, agora sorria laranja, e as flores do campo pareciam combinar estupidamente com a cor do mesmo. Riu, pensando como tudo isso ficaria bonito cercado por uma moldura e pintado por alguém que realmente soubesse trazer toda aquela sensação de liberdade para dentro de um quadro qualquer.
As incansáveis joaninhas que tentavam entrar dentro de suas sapatilhas a faziam esquecer, mesmo que por pouco, toda a tristeza que sentia em seu coração. Mas logo esse pouco virava nada e aquela dorzinha paradoxa, que ao mesmo tempo conseguia ser imaginária e também misteriosamente aguda, voltava a cutucar o lado esquerdo de seu peito, onde insistia em dizer que já morou um coração.
Tudo parecia tão lindo.
Tudo parecia tão perfeito.
Exceto por sua presença que destoava o resto da composição.
Nessa primavera, ela não fazia parte daquela paisagem, ela estava ali da mesma maneira que uma mosca pousa sobre um quadro recém pintado, atrapalhando toda a beleza e deixando um pedaço, por menor que seja, sem tinta, perdido.
E, agora deitada, já não sentindo mais noventa por cento de seu corpo, fechou os olhos, desejando que aquele buraco do lado esquerdo de seu peito formigasse também, deixando-a livre da constante dor.
Alguns minutos depois, o incômodo havia passado e apesar de manter os olhos fechados, ela podia se enxergar, correndo feliz pelo mesmo campo, na primavera passada, notando que o detalhe mais importante da paisagem era a forma como sua mão era acolhida pela dele, que também corria ao seu lado, completando a lacuna que faltava para o fim da obra.
As joaninhas voltaram a escalar seus tornozelos e o elo entre suas mãos e as dele foi se desfazendo, trazendo-a de volta para a realidade, onde nem o melhor remédio do mundo tiraria aquele pulsar latejante, aquela dor constante, aquela felicidade distante.
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Primeiro de tudo, queria agradecer todos os elogios pelo último post e contar que eu ganhei o concurso (yey!). Aqui vocês podem ver os outros ganhadores.
Aproveitando a minha falta de idéias, decidi participar de outro concurso, agora do Bloínques, no qual eu precisava redigir um conto a partir da foto ali de cima.
Espero que gostem e desculpem a demora para atualizar, não me culpem, culpem a semana de recuperação e, por favor, culpem a matemática, a física e a química.
Ps: 58 seguidores! Eu nunca, nunca mesmo, achei que esse blog iria para frente e, não poderia estar mais feliz.

Beijos e continuem escutando o que nossas mamães sempre dizem e façam (ou não) proveito disso.