sexta-feira, 1 de outubro de 2010

No meu casulo.

O vento fazia com que a rede em que estávamos balançasse devagar e, ao fechar os olhos, eu podia voltar ao passado e me enxergar, na balança que ficava no quintal da minha avó, fazendo o maior esforço do mundo para conseguir impulsionar o balanço e rindo alto ao perceber que não adiantaria nada me esforçar... Essa sensação era boa. Nos dois casos, eu digo, tanto na rede, ao lado dele, quanto no quintal de vovó.
Eu sorria sem ter um porque aparente, mas com mil razões internas para gargalhar o mais alto possível, eu me sentia feliz ao seu lado, me sentia livre, como se eu fosse criança novamente. Minha cabeça estava leve, meu coração feliz e meu estômago cheio. Cheio de borboletas teimosas que insistiam em me deixar mais maluca ainda ao seu lado, mas apesar de sentir cócegas e um frio interminável por todo o corpo, tudo isso até que era gostoso, parecia até uma característica do momento, fazia parte. Ele, a rede, o vento frio, as lembranças e aquela sensação. A tal sensação que sentia pela primeira vez, mas já conhecia como se tivesse a sentido desde sempre.
Eu não me importava com o relógio, não fazia idéia do paradeiro do meu celular e não tinha um casaco, mas e daí? Eu tenho tudo o que preciso comigo. Meu passado, meu presente e, espero que, meu futuro.
O momento é esse, o lugar é esse, essa sou eu, ele é ele e a rede, apesar de fraquinha, consegue nos segurar e ainda aguentar minhas duzentas mil borboletas internas. Eu amo essa rede!

Textinho pro Bloínques, edição visual.

3 comentários:

Thaíse L. disse...

Amei Júlia, boa sorte no Bloínques!
Beijos

Boom papo disse...

caramba, ameii muito. ta perfeito!
sem palavras, os detalhes tão realistas, me senti na rede. ;D
liindo msm parabéns.
www.boompapo.blogspot.com
@beatriiizcunha

Nicole disse...

"...e meu estômago cheio. Cheio de borboletas teimosas" rs... adorei o texto! Ele é um daqueles que quando lemos nos leva a montar as cenas! beijo! e Parabéns!