Olhava ao redor, 1, 2, 3, contava quantos pulos as pequenas pedras davam antes de mergulhar na escura água do lago, o qual centralizava o quadro sem moldura que eu observava com os olhos levemente pesados.
Quando o vento desistiu de seu jogo bobo com a árvore molhada, as gotas, que antes trilhavam caminhos em meu rosto, cessaram, indo de encontro ao chão.
1,2,3 voltas o "ponteiro pai" do meu relógio havia dado.
1,2,3 borboletas azuis cansaram após várias cambalhotas no ar.
Sentia tudo mudar, menos aquilo, tal coisa que minutos atrás não sabia da existência e, agora, em meio a este aperto interno, passei a conhecer.
Sinto muito, saudade, preferiria nunca ter este prazer.
Mudando de quadro pela primeira vez, olho para o lado, onde encontro somente a moldura de um auto-retrato, onde você deveria estar do meu lado, representado, rabiscado, rasurado, tinta à óleo ou giz de cera, preenchendo esse vazio.