sábado, 5 de junho de 2010

Corda Bamba.

O vento cortante batia em seu rosto, castigando-a ainda mais. Deitada, a indecisão invadia seu ser ao olhar para baixo e enxergar o fim. Mas não apenas o fim, a concretização, o pote de ouro, a terra prometida, a felicidade em si.
Já em pé, chutou, atrevidamente, uma pedrinha, que rolou por três segundos antes de mergulhar naquela imensidão de nada. Chegando mais perto, nenhum som foi escutado e a pressão em seus ouvidos crescera, esperando o barulho de encontro da pedra ao chão.
Nada.
Então era isso? Jogar-se contra tudo e ser esquecida? Sumir como uma água que evapora ao sol quente de dezembro?
Chacoalhou a cabeça, pensamentos negativos não a agradavam, não lá, não na hora decisiva. Tivera um ano para pensar, e foi o que fez, pensando a cada minuto rodado no relógio, montando cada parte do plano. Aquele típico plano que não teria um resultado, coisa que, estranhamente, não é típica. Para que fazer planos quando o futuro é fim?
- Oh, e você Dona Coragem, quando decidirá chegar?
Chegar, chegar, chegar.
Mais um pequeno turbilhão de vento chegara, abraçando-a sem pudores, vento, aquele inconstante, que nos refresca nos dias quentes e nos queima geralmente. Vento que leva embora lágrimas de tristeza, levando também suor de felicidade, vento que derruba e rejuvenesce.
- Você, meu querido vento, avise quando voltar e venha quando eu chamar.
Chamar, chamar, chamar.
Como podemos ser tão diferentes das pedras e ao mesmo tempo, quando jogadas na imensidão, tornarmos paralelas? Em questão de peso, vida e conhecimento, importar mais que uma pedra não leva a nada quando todos estes conceitos te levam à um fim relativamente igual. Cinza, constante.
- Imagino que estejam bravas conosco, pedrinhas amigas, por destruirmos suas famílias, pois quero que saibam que, no final, somos irmãs. Sangue do meu sangue, rocha da minha rocha.
Rocha, rocha, rocha.
Um passo, fim.
Um passo, recomeço.
E, dependendo da direção encontro minha salvação e perco tudo, ou, ganhando o mundo, continuo igual, vazia, densa, petrificada.
Como pode, destino, colocar tudo em troca de um passo? E se tropeço, perco tudo e se danço me arrependo? Corda bamba, dois lugares ao mesmo tempo, fronteira do bom e do melhor, conflito interno irreconhecível, venha me ajudar.
Me empurre nesse penhasco ou me abrace sem soltar.

Estou com um blog novo, onde utilizarei meus dedinhos para o lado fútil que tanto amo. Lá falarei sobre moda, achados, lojas, produtos e cultura inútil.
Bolsa De Amiga, onde você, geralmente, encontra tudo o que precisa e um pouco mais.


4 comentários:

lolla ramona (: disse...

oooi, adoreei o bloog <33
estou seguindo, seu quiser retribuir ;
um bom domingo beijos *-*

Anna Beatriz disse...

Adorei o texto, depois me passa o link desse novo blog :)
beijos!

Gabriella Orlani disse...

O que seria da vida sem planos, mesmo que o futuro seja o fim?
Adorei o texto e a idéia do novo blog! Se estiver a procura de dividir e multiplicar as futilidades adoraria participar de algo assim, ainda não tive coragem de criar o meu próprio blog sobre "cultura inútil".
=)
Um beijo!

Hosana Lemos disse...

'Como podemos ser tão diferentes das pedras e ao mesmo tempo, quando jogadas na imensidão, tornarmos paralelas? '


nossa!!!